Economia Azul: setor vai ajudar recuperação económica

Relatório da UE sobre a Economia Azul: setor vai ajudar recuperação económica e abre caminho para Pacto Ecológico Europeu

A Comissão Europeia publicou, a 11 de Junho, o Relatório de 2020 sobre a Economia Azul da UE, que traça o panorama do desempenho dos setores económicos da UE ligados aos oceanos e ao ambiente costeiro.

Com um volume de negócios de 750 mil milhões de euros em 2018, a economia azul da UE “está de boa saúde”, garante a Comissão Europeia em comunicado. Nesse mesmo ano, este setor empregava 5 milhões de pessoas, o que representa um aumento significativo de 11,6 % relativamente ao ano anterior.

Apesar das graves repercussões da pandemia de Covid-19 sobre setores como o turismo costeiro e marítimo e as pescas e a aquacultura, globalmente a economia azul “tem um enorme potencial em termos de contribuição para uma recuperação ecológica”.

Normalmente associado a atividades tradicionais como a pesca e o transporte, o meio marinho alberga um número cada vez maior de setores emergentes e inovadores, entre os quais o das energias marinhas renováveis. A UE, líder mundial em tecnologia da energia oceânica, “está no bom caminho para produzir até 35% da sua electricidade a partir de fontes ao renováveis no mar até 2050”.

Dimensão ambiental da economia azul

Pela primeira vez, o relatório aborda pormenorizadamente a dimensão ambiental da economia azul, contribuindo assim também para alcançar os objetivos ambientais. Com uma redução de 29% das emissões de CO2 por unidade de valor acrescentado bruto entre 2009 e 2017, o crescimento das pescas e da aquacultura está completamente dissociado da produção de gases com efeito de estufa. O relatório salienta ainda a correlação entre a pesca sustentável e os resultados económicos positivos.

E, acrescenta a Comissão que a preocupação ambiental está em curso também noutros setores. O setor do transporte marítimo, impelido pela introdução do limite máximo de teor de enxofre por parte da Organização Marítima Internacional para 2020, orienta-se cada vez mais para a procura de fontes de energia com menor intensidade de carbono. Além disso, uma rede de “portos verdes” está a reduzir a pegada ecológica destas plataformas economicamente importantes que ligam oceanos e continente.

O relatório analisa igualmente o valor económico de vários serviços ecossistémicos prestados pelo oceano, incluindo os habitats para a vida marinha, o sequestro de carbono e os processos que influenciam as alterações climáticas e a biodiversidade.

Economia azul ajuda países a saírem da crise mais fortes

Segundo o Comissário Europeu do Ambiente, Oceanos e Pescas, Virginijus Sinkevičius, “as energias renováveis marítimas, os alimentos provenientes do mar, o turismo costeiro e marítimo sustentável, a bioeconomia azul e muitas outras atividades que constituem a economia azul ajudar-nos-ão a sair desta crise mais fortes, mais saudáveis, mais resilientes e mais sustentáveis. Estamos a fazer tudo o que é possível para atenuar o impacto do confinamento e proteger os empregos na economia azul e o bem-estar das nossas comunidades costeiras sem abdicar das nossas ambições ambientais”.

Por sua vez, a comissária da Inovação, Investigação, Cultura, Educação e Juventude, responsável pelo Centro Comum de Investigação (JRC), Mariya Gabriel, afirmou que “através da Estratégia Crescimento Azul da União Europeia, continuamos a apoiar o crescimento sustentável nos sectores marinho e marítimo. A investigação e a inovação são pilares fundamentais desta resposta da Europa. Garantiremos que a investigação, a inovação e a educação contribuam para a transição para a economia azul europeia. O relatório de hoje inscreve-se neste apoio científico, dando indicações valiosas sobre os resultados económicos das actividades marinhas europeias e destacando os domínios de acção prioritária”.

Empregos “azuis”

Com 5 milhões de pessoas empregadas em 2018, a economia azul da UE registou um aumento do número de postos de trabalho de 11,6 % relativamente ao ano anterior. Na base deste crescimento está, sobretudo, o sector do turismo costeiro. No setor da energia eólica marinha, o número de postos de trabalho foi multiplicado por nove em menos de dez anos.

Para a Comissão Europeia, estes números “mostram que a economia azul da UE ultrapassou o impacto devastador da crise económica e financeira de 2008. Face às repercussões da actual crise ligada ao surto de coronavírus em todos os setores económicos, incluindo na economia azul, a Comissão Europeia adoptou rapidamente medidas firmes para proteger a economia da UE, incluindo os vários sectores da economia azul”.

Apoios

A UE apoia a economia azul através de vários instrumentos. O Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos investiu mais de 1,4 mil milhões de euros em projetos de energia eólica ao largo e ofereceu um apoio substancial a outros sectores da economia azul, como o desenvolvimento portuário e o transporte marítimo limpo.

Através da plataforma BlueInvest da Comissão Europeia e do Fundo Europeu de Investimento, foram concedidas subvenções no montante de 22 milhões de euros em 2019 e de 20 milhões de euros em 2020 para novos empresários inovadores que se lançam na economia azul. Refira-se ainda a criação do novo Fundo BlueInvest em 2020. Por outro lado, o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento financia uma série de projectos da economia azul.

Pode ler o Relatório de 2020 sobre a Economia Azul da UE completo aqui.

Fonte: Agricultura e Mar Actual

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