Compras digitais, produção local e consciência. O “novo normal” do consumo

Os consumidores viram-se obrigados a mudar comportamentos durante o confinamento e alguns deles deverão manter-se para lá da pandemia. A mais recente edição do Barómetro Global Covid-19 da Kantar mostra que há pelo menos três tendências de consumo que irão definir o chamado “novo normal” e que são consequência do novo coronavírus.

Realizado em 30 países, incluindo em Portugal através da parceria Marktest-Kantar Insights Division, o barómetro refere que as tendências verificadas têm uma forte probabilidade de se tornarem duradouras e que, por isso, produtos e marcas terão de se adaptar.

1 – Nova vaga de compradores online

Segundo a Kantar, o comércio electrónico regista um crescimento mais rápido do que qualquer outra área do retalho e assim deverá continuar. Além de existirem compradores a experimentar este canal pela primeira vez numa variedade de categorias, verfica-se também um aumento entre quem já comprava online: quase uma em cada três famílias (32% no total – 40% das famílias com crianças) aumentou ou aumentou significativamente os seus gastos em comércio electrónico no período de pandemia.

Globalmente, um em cada três (33%) domicílios acredita que as suas compras online aumentarão no futuro. Este valor aumenta para 40% junto dos consumidores conscientes em relação à sustentabilidade, sendo quase metade (45%) nos lares com crianças.

Também em todo o Mundo, 38% dos inquiridos pela Kantar disseram que continuarão a comprar nas lojas online que visitaram pela primeira vez durante a crise; 31% vai continuar a comprar novos produtos e serviços que começaram a comprar durante a crise. Em Portugal, estes números são ainda mais elevados atingindo 43%;

2 – Maior consciência do valor

A ansiedade económica combinada com o pessimismo relativamente a uma possível segunda vaga do vírus e o impacto a longo prazo da pandemia fazem com que a Kantar aponte para uma renovada importância das estratégias de preço, promoção e valor acrescentado. Diz mesmo que serão críticas para a competitividade das marcas.

45% das famílias já viram o seu rendimento cair durante a pandemia e uma em cada quatro (26%) espera que o seu rendimento seja impactado no futuro. Nota-se também um pessimismo generalizado a curto prazo.

A nível global, dois terços das pessoas esperam que demore muito tempo para a economia recuperar e que haja um impacto a longo prazo na perda de empregos e nas empresas em dificuldades. Em Portugal, este valor é mais elevado e tem estado estável, nos 69%, ao longo das diferentes vagas desta pesquisa, refere ainda o Barómetro. Esta incerteza faz com que os consumidores estejam mais atentos aos preços;

3 – Produção local

Se antes era uma tendência dominante entre os consumidores preocupados com a sustentabilidade, agora a produção local passou a ser importante para a generalidade das pessoas – interessadas em conhecer as estratégias de aprovisionamento e produção das marcas.

A nível global, os consumidores estão agora mais favoráveis aos produtos produzidos localmente: 65% das pessoas prefere comprar bens e serviços do seu próprio país, sendo que a China tornou-se o país que mais defende a compra local (87%).

Seguem-se exprimindo Itália (81%), Coreia do Sul (76%) e Espanha (73%).

Em Portugal, diz a Kantar, esta atitude não apresenta valores tão elevados, mas é partilhada por uma grande maioria (64%). Também por cá, um em cada três consumidores considera que as marcas que usam devem trazer a produção de volta para o seu país.

Rosie Hawkins, directora de Inovação da Kantar, lembra que os períodos de interrupção aceleram as mudanças e que são precisos um a dois meses para que novos hábitos se tornem “regulares”. Segundo a responsável, as três tendências identificada vão ganhar importância «à medida que as maiores marcas do mundo planeiam os seus caminhos de volta a um crescimento saudável no período pós-pandemia».

Quanto ao comércio electrónico, Rosie Hawkins sugere que as marcas assegurem uma óptima experiência do cliente e que estejam atentas aos concorrentes D2C emergente que foram mais ágeis e criativos durante a quarentena.

«Novas estratégias de agregação de valor precisarão ser desenvolvidas para responder à ansiedade económica que permanecerá por algum tempo. Os que se dedicam à estratégia de marca precisam de avaliar cuidadosamente as suas práticas de aquisição e de explorar as oportunidades criadas por um maior foco na origem dos produtos e matérias-primas», sublinha ainda.

Fonte: AICEP

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